A história da América Latina em diálogo com os processos globais do capitalismo ocidental foi preocupação central nas obras de intelectuais como José Luis Romero, Ángel Rama, Jorge Enrique Hardoy, Tulio Halperin Donghi, Barbara Weinstein, Maria Ligia Coelho Prado e tantos outros. O “breve século 20”, como definido pelo historiador Eric Hobsbawm, coincide com a duração do socialismo real, vivido entre 1917 e 1991, mas Giovanni Arrighi estendeu a periodização para pensar os ciclos do capitalismo em longa duração, e Carlos Antonio Aguirre Rojas, para relacionar a história e a historiografia latino-americanas. As experiências latino-americanas de reforma e revolução — como o batllismo uruguaio, a Revolução Mexicana e o radicalismo argentino — dialogaram com o avanço do marxismo, do anti-imperialismo e da crítica ao liberalismo, assumindo formas próprias e enraizadas em realidades locais.
Ao longo do século, conflitos sociais e disputas pela terra evidenciaram as tensões entre campo e cidade, entre projetos de modernização e modos de vida historicamente marginalizados. Reformismos cautelosos e entusiasmos revolucionários se alternaram e se confrontaram, compondo uma complexa disputa cultural e política que a exposição denomina “era dos desenvolvimentos”. Após a Segunda Guerra Mundial, esse cenário foi atravessado pela atuação sistemática de agências internacionais e instituições de planejamento, inseridas no discurso do desenvolvimento, da paz e do crescimento econômico que caracterizou a chamada “era de ouro” do capitalismo, sem, contudo, eliminar as profundas desigualdades herdadas da colonização e da industrialização dependente.
É nesse contexto que se insere o Centro Interamericano de Vivienda y Planeamiento (CINVA), instituição que atuou na América Latina articulando interesses hegemônicos, saberes técnicos e debates intelectuais continentais. Seus estudos, cursos e projetos revelam ambiguidades e contradições da modernização, ao mesmo tempo em que tornam visíveis conflitos sociais, especialmente aqueles ligados à posse da terra e às relações entre campo e cidade.
A partir dessa experiência paradigmática, a exposição propõe repensar o conceito de desenvolvimento como uma construção histórica e política latino-americana — o desenvolvimentismo — entendido não apenas como crescimento econômico, mas como um projeto social que buscou promover igualdade, integração regional e a superação das relações estruturais de dependência, formulado de maneira decisiva no âmbito da CEPAL e marcante para o pensamento e a ação social na região.