Vargas, que presidiu a ditadura do Estado Novo até 1945, havia sido eleito democraticamente e governava desde 1951 enfrentando forte oposição. Dois episódios concorreram para a intensificação dos embates: a criação da Petrobrás em 1953, e a garantia do monopólio da exploração do petróleo pelo Estado brasileiro, que desagradou empresários e grupos estrangeiros que defendiam a presença de setores privados nacionais e estrangeiros no setor; e o aumento do salário mínimo em 100% em maio de 1954, amplamente combatido por grupos conservadores e empresários, que acusaram Vargas de populismo, julgando que essa medida desestabilizaria a economia. A crise foi agravada com a tentativa de assassinato de Carlos Lacerda, jornalista, líder da oposição, cuja autoria foi atribuída a um membro da guarda pessoal de Vargas. O cerco político e a ameaça de sua deposição veio de uma articulação crescente da oposição com setores militares apoiados por interesses dos Estados Unidos que vinham numa ação constante contra políticas nacionalistas no continente. Diante das pressões, Vargas suicidou-se num episódio que gerou enorme comoção nacional levando milhares de populares às ruas, e adiando em dez anos o golpe militar no Brasil.