Entre 1968 e 1973, o Brasil apresentou crescimento acelerado do Produto Interno Bruto, inflação controlada e um boom de obras de infraestrutura, caracterizando o período chamado de Milagre Econômico, que em parte foi o grande sustentáculo da ditadura militar. No entanto, esse período foi marcado pela concentração de renda, achatamento salarial, aumento da dívida externa, e aprofundamento das desigualdades sociais. Tais consequências geram enormes descontentamentos e impulsionam movimentos de trabalhadores organizados que têm início nas greves lideradas por metalúrgicos na região metropolitana de São Paulo. As então chamadas Greves do ABC romperam o controle sindical imposto pela ditadura militar, reivindicando reposição salarial e liberdade sindical. O movimento grevista mobilizou amplos setores populares e influenciou greves de outras categorias profissionais pelo país, como bancários, professores e petroleiros, impulsionando a projeção de lideranças como Luiz Inácio Lula da Silva, e consolidando os caminhos para o processo de redemocratização do Brasil.