“Não deve haver Norte para nós, senão por oposição ao nosso Sul. Por isso agora colocamos o mapa ao revés, e assim temos uma ideia justa da nossa posição, e não como querem no resto do mundo. A ponta da América, a partir de agora, prolongando-se, aponta insistentemente para o Sul, nosso Norte.”
(Joaquín Torres García, 1943)
O mapa invertido da América Latina, como na proposta do artista uruguaio Joaquín Torres García, destaca a localização dos 87 projetos representados na linha do tempo.
RESPONSÁVEIS: Luís Fernando Cruvinel Teixeira; Walfredo Antunes de Oliveira Filho
ORGANIZAÇÃO: Comissão de Implantação da Nova Capital (Novacap)
1954/1964→1968
UNIDADE DE VIZINHANÇA PORTALES
SANTIAGO (CHILE)
RESPONSÁVEIS: Carlos Bresciani Bagattini; Hector Valdés; Fernando Castillo; Carlos García-Huidobro
ORGANIZAÇÃO: Corporación de Vivienda (CORVI)
1955
PROJETO DE SOGAMOSO
SOGAMOSO (COLÔMBIA)
RESPONSÁVEIS→ César Garcés V.; David Vega-Christie; Jorge Videla; Ernesto E. Vautier; Conrado P. Sonderéguer; Raúl Ramírez; e alunos do Curso Regular
de Vivenda. • ORG.→ Centro Interamericano de Vivienda y Planeamiento (CINVA)
O projeto desenvolvido no Vale de Sogamoso teve escala regional, buscando refletir sobre a questão habitacional diante da instalação de uma siderúrgica que transformou a dinâmica entre campo e cidade na região. No âmbito do Curso Regular do CINVA de 1955, a proposta contemplava tanto projetos de casas rurais quanto de casas urbanas, incluindo o melhoramento de vivendas já existentes. Com foco na cidade de Nobsa, foi concebido o desenho de uma unidade de vizinhança composta por quatro ou cinco bairros. Cada bairro deveria reunir de 150 a 200 vivendas, além de áreas comerciais e um núcleo de serviços que incluiria escola, praça, comitê cívico, centro esportivo ou centro administrativo.
1982→1985
PROJETO VILA NOVA CACHOEIRINHA
SÃO PAULO (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: Guilherme Coelho; Henrique Reinach; Laila Mourad; Maria Inês Brandão • ORG. Associação de Moradia Unidos de Vila Nova Cachoeirinha;
Peabiru Trabalhos Comunitários e Ambientais; Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB-SP)
Esse projeto piloto de assentamento, destinado a 256 famílias, foi desenvolvido por meio de um processo participativo com a Associação de Moradia Unidos da Vila Cachoeirinha, adotando o modelo de mutirão autogestionário e de construção comunitária por meio de ajuda mútua. O projeto foi didaticamente apresentado à população via protótipos em escala reduzida (maquete móvel) e escala real (construção da casa-modelo), e discutidos junto aos moradores, resultando num assentamento geminado de unidades habitacionais unifamiliares e de tipologia assobradada. O processo decisório e projetual da iniciativa –que geraram os planos urbano e arquitetônico executados – recebeu aportes da COHAB-SP após muita reivindicação de seus técnicos e da comunidade. Pelo histórico profissional e de engajamento de seus agentes, de experiências antecedentes e do formato do empreendimento, o episódio paulista encontra paralelos diretos nas exitosas experiências habitacionais da Federación Uruguaya de Cooperativas de Vivienda por Ayuda Mutua (FUCVAM), onde também se desenvolveram canteiros comunitários de construção em ajuda mútua tecnicamente assistida.
1972→[1974]
ESTUDO PILOTO DE URABÁ PARA CENTROS DE PROGRESSO RURAL
URABÁ (COLÔMBIA)
RESPONSÁVEIS→ Equipe técnica do convênio Bouwcentrum • ORG.→ Convênio Centro Colombiano de la Construcción – Bouwcentrum de Colombia (CCC); Centro Venezolano para la Investigación y Construcción del Hábitat – Bouwcentrum de Venezuela (CVIVH); Instituto Internacional de Educación Bouwcentrum (BIE)
Adotando a ideia de vitalização rural como estratégia para um planejamento nacional balanceado em países do terceiro mundo, o Bouwcentrum lançou a proposta de “Centros de Progresso Rural” como metodologia de planificação regional capaz de aliar o desenvolvimento do setor urbano com um rápido crescimento do interior. Parte de um projeto mais amplo, a região colombiana de Urabá -– área isolada na divisa com o Panamá e com saída para o Caribe, rica em recursos naturais, mas marcada pela extrema pobreza, disputas territoriais e dinâmicas do narcotráfico– foi escolhida para sediar um estudo-piloto que posteriormente seria convertido em um Programa-Ação. Tal programa buscava o estabelecimento de sistemas regionais de núcleos de desenvolvimento descentralizado que, ao proporcionar oportunidades econômicas e benefícios sociais para populações camponesas, neutralizariam a pobreza e o êxodo rural, freando a explosão do crescimento metropolitano. Para além do agenciamento físico-econômico e multiescalar da sub-região Turbo-Apartadó-Chigorodó, o projeto de vitalização rural planejou a construção de distritos residencial e industrial, mercado, infraestrutura e outras facilidades para as comunidades.
1969
PLANO DE URBANIZAÇÃO PARA BRÁS DE PINA
RIO DE JANEIRO (BRASIL)
RESPONSÁVEIS→ Grupo QUADRA: Carlos Nelson Ferreira dos Santos; Silvia Wanderley; Rogério Aroeira
ORGANIZAÇÃO: Companhia de Desenvolvimento de Comunidade (CODESCO)
A urbanização da favela Brás de Pina foi um ponto de inflexão nas respostas dadas à questão habitacional no Brasil. A equipe desenvolveu um processo participativo de intervenção, iniciado por uma mobilização popular e executado por gestores estatais, que considerou os saberes e vontades da população. Além de ter sido uma das primeiras experiências do tipo no país, o plano é paradigmático por ter sido desenvolvido em um momento de maior recrudescimento da ditadura militar.
1968→1973
PROJETO EXPERIMENTAL DE VIVENDA (PREVI)
LIMA (PERU)
RESPONSÁVEIS: Concurso coordenado por Peter Land
ORGANIZAÇÃO: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD); Governo Peruano
O projeto, organizado pelo governo peruano com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ficou conhecido por seu Projeto Piloto 1, um concurso internacional que envolveu equipes peruanas e estrangeiras na proposta de casas de baixo custo, ampliáveis em etapas, implantadas em uma unidade de vizinhança baseada em baixa altura e alta densidade. Reforçando seu caráter experimental, o projeto foi concluído com a construção de um conjunto de cerca de 500 unidades, incorporando 24 das 26 propostas apresentadas no concurso. O PREVI incluiu ainda outras três frentes de ação: o Plano Piloto 2, baseado na construção em autoajuda para a reabilitação de moradias existentes; o Plano Piloto 3, com métodos e técnicas para planejar o crescimento racional de assentamentos espontâneos; e o Plano Piloto 4, com foco em moradias sismorresistentes.
1963→1964
COMUNIDADE DO CAJUEIRO SECO
JABOATÃO DOS GUARARAPES (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: Acácio Gil Borsói; Flávio Marinho Rêgo; Mário Jorge Jardim Pedrosa; Neide Mota de Azevedo; Maria Lucia Mello; Francisca Veras; Ana Albuquerque; Armando de Holanda Cavalcanti; Cláudio Cavalcanti; Eneida Ferreira; Geraldo Gomes; Geraldo Persivo; Maria Bernardete; Maria Lúcia Barbosa; Zenilda Evangelista • ORG.: Serviço Social Contra o Mocambo
Esta iniciativa do Governo do Estado de Pernambuco foi pioneira na produção de habitação popular por meio da autoconstrução assistida tecnicamente. A região do projeto foi inicialmente dotada de infraestrutura básica, provida de equipamentos sociais, comerciais e sanitários de uso comunitário, e repartida em lotes unifamiliares. O projeto-padrão para as unidades habitacionais previa o uso de placas pré-fabricadas de taipa-de-mão para as paredes, rolos de fibra natural para a cobertura e equipamentos hidrossanitários de concreto. A natureza dos componentes construtivos permitia que a unidade fosse autoconstruída em regime de ajuda mútua, e a modulação do projeto possibilitava sua adequação às necessidades familiares específicas.
1961→1965
PLANOS REGULADORES DO PROGRAMA NACIONAL FRONTEIRIÇO (PRONAF)
NORTE DO MÉXICO
RESPONSÁVEIS: Mario Pani; Victor Vila Lenza; Domingo Garcia Ramos; Homero Martinez de Hoyos; Miguel de la Torre; Luis Ramos; Enrique Molinar; Hilario Galguerra III
ORGANIZAÇÃO: Governo Federal do México
Este projeto multiescalar teve como objetivo promover o desenvolvimento econômico, social e turístico na região da fronteira entre o México e os Estados Unidos. Pani e equipe desenvolveram Planos Reguladores para os núcleos urbanos fronteiriços selecionados, tomando a “superquadra” como escala de suas propostas. Localizada na trama urbana regional, cada cidade era associada a um programa específico de equipamentos comerciais, culturais e educativos, somados ao investimento em infraestrutura básica. Empregando os postulados modernistas, as intervenções arquitetônicas e urbanísticas também foram marcadas pelo ideário da “mexicanidade”, colaborando para a formação de uma identidade nacional homogênea a partir do ambiente construído.
1958→1960
CONJUNTO RESIDENCIAL BARRIO LA FRAGUA
BOGOTÁ (COLÔMBIA)
RESPONSÁVEIS: Germán Samper;
Yolanda Martínez de Samper
ORGANIZAÇÃO: Instituto de Crédito Territorial (ICT)
Germán Samper e Yolanda Martínez propuseram para La Fragua soluções que foram, em certa medida, incorporadas pelas políticas públicas de habitação na Colômbia e outros países da América Latina. A implantação de 40 casas, inicialmente prevista pelo Instituto de Crédito Territorial (ICT), foi ampliada para 100 unidades a partir da supressão de vias de pedestres e do rearranjo dos terrenos. As moradias, com áreas mínimas, possuíam ainda um espaço destinado exclusivamente ao trabalho produtivo, com acesso independente – conceito que Samper chamou de “vivenda produtiva”. As casas em paredes de tijolos e cobertura metálica leve foram construídas por meio da autoconstrução dirigida, e os moradores participaram de curso de construção ministrado pelo CINVA. A solução construtiva ainda permitiu a posterior ampliação das residências, trazendo novas dinâmicas para o conjunto.
1950→1953
UNIDADE DE VIZINHANÇA MATUTE
LIMA (PERU)
RESPONSÁVEIS: Santiago Agurto Calvo
ORGANIZAÇÃO: Corporación Nacional de Vivienda
Construída no contexto do projeto de modernização e bem-estar social promovido durante o governo de Manuel Odría (1948-1956), Matute é considerada uma unidade de vizinhança completa. A obra integrava habitações multifamiliares e unifamiliares, somando 900 unidades, além de centro cívico, igreja, equipamentos escolares e esportivos, e áreas comerciais, priorizando áreas verdes e a separação de tráfego de pedestres e veículos. O projeto combinou o funcionalismo da arquitetura moderna dita “universal” com elementos da identidade cultural local, como materiais e técnicas construtivas.
1950
MISSÃO DE EDUCAÇÃO RURAL DE ITAPERUNA
RIO DE JANEIRO (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: José Irineu Cabral; Plinio Luppi; Aylda Faria da Silva Pereira; Ruth Guedes; Yonita Ascenço Torres
ORGANIZAÇÃO: Ministério da Educação e Cultura (MEC); Ministério da Agricultura
A Missão Rural de Itaperuna, realizada no estado do Rio de Janeiro, foi um projeto piloto de educação e desenvolvimento rural que serviu de referência para a criação da Campanha Nacional de Educação Rural (CNER) em 1952. Inspirada nas Missões Culturais Mexicanas, a experiência no Brasil contou com a participação de profissionais enviados ao México para capacitação e que, posteriormente, atuaram em Itaperuna. A iniciativa reuniu uma equipe interdisciplinar que abordou temas diversos, como saúde, agricultura, alfabetização e melhorias habitacionais, com o objetivo de promover o desenvolvimento social e econômico da população campesina.
1959→1961
UNIDADE DE VIZINHANÇA CAMILO CIENFUEGOS (UNIDADE URBANA PILOTO Nº 1)
HAVANA (CUBA)
RESPONSÁVEIS: Hugo D’Acosta; Mario González; Juan Baldarón; Enrique Enríquez; Mecedes Álvarez; Ana Vega; Héctor Carrillo Miyares; Eradia Hurtado de Mendoza; Reynaldo Estévez; Eduardo Rodríguez; Roberto Carranza
ORGANIZAÇÃO: Instituto Nacional de Ahorro y Vivienda
1957→1960
PLANO PILOTO DE BRASÍLIA
BRASÍLIA (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: Lucio Costa
ORGANIZAÇÃO: Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap)
1954→1957
CONJUNTO RESIDENCIAL
23 DE ENERO
CARACAS (VENEZUELA)
RESPONSÁVEIS: Carlos Raúl Villanueva; José Manuel Mijares; José Hoffmann; Carlos Brando
ORGANIZAÇÃO: Banco Obrero
1948
PROJETO PARA O BAJO BELGRANO
BUENOS AIRES (ARGENTINA)
RESPONSÁVEIS: Antonio Bonet; Jorge Vivanco; Jorge Ferrari Hardoy
ORGANIZAÇÃO: Estudios del Plan de Buenos Aires (EPBA)
1957
PROJETO DE SILOÉ
SILOÉ (COLÔMBIA)
RESPONSÁVEIS: Alec S. Bright; Maria Josephina R. Albano; consultores e alunos do Curso Regular de Vivenda
ORGANIZAÇÃO: Centro Interamericano de Vivienda y Planeamiento (CINVA)
O projeto realizado no bairro de Siloé, área de tugúrios na cidade de Cali, foi desenvolvido no âmbito do Curso Regular de 1957. Como indica o título atribuído ao relatório final, tratou-se de um processo de desenvolvimento comunal inserido em um programa de reabilitação urbana. A proposta de organização e conscientização da população incentivou a formação de Comitês Cívicos em diferentes setores do bairro. Em colaboração entre os alunos do curso e os moradores, foi realizado o melhoramento de uma rua de Siloé, concebida como referência e experiência-piloto para a reurbanização do restante do bairro. O local foi rebatizado como Rua CINVA e, também simbolicamente, os Comitês Cívicos receberam nomes de diferentes países latino-americanos.
1947→1954
CONJUNTO RESIDENCIAL PREFEITO MENDES DE MORAES (PEDREGULHO)
RIO DE JANEIRO (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: Carmen Portinho; Affonso Eduardo Reidy; Francisco Bolonha
ORGANIZAÇÃO: Departamento de Habitação Popular do Distrito Federal
1946→1949
CONJUNTO RESIDENCIAL PRESIDENTE ALEMÁN
CIUDAD DE MEXICO D.C. (MÉXICO)
RESPONSÁVEIS: Mario Pani; Salvador Ortega; Bernardo Quintana
ORGANIZAÇÃO: Instituto de Seguridad y Servicios Sociales de los trabajadores del Estado – Dirección de Pensiones Civiles (ISSSTE)
1936→1937
FALANSTÉRIO DE PUERTA DE TIERRA
SAN JUAN (PORTO RICO)
RESPONSÁVEIS: Jorge Ramírez de Arellano
ORGANIZAÇÃO: San Juan Housing Authority
1932→1933
VILA OPERÁRIA DA GAMBOA
RIO DE JANEIRO (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: Lucio Costa; Gregori Warchavchik
1952
PROJETO DE QUIROGA
BOGOTÁ (COLÔMBIA)
RESPONSÁVEIS: Howard Fischer;
alunos do Curso Regular de Vivenda
ORG.: Instituto de Crédito Territorial (ICT); Centro Interamericano de Vivienda y Planeamiento (CINVA)
O projeto desenvolvido no bairro de Quiroga, em Bogotá, foi o primeiro de grande envergadura realizado pelo CINVA. Fruto de uma parceria com o Instituto de Crédito Territorial (ICT), que já elaborava um programa habitacional para a região antes ocupada por tugúrios, o empreendimento foi coordenado pelo arquiteto norte-americano Howard Fisher e contou com a participação técnica dos alunos do primeiro Curso Regular do CINVA, em 1952. Orientados por um discurso de modernização técnica, os estudantes projetaram um conjunto de casas térreas com coberturas abobadadas em concreto armado. Paralelamente, durante o curso, foram realizadas diversas experimentações em laboratório com o objetivo de formular um sistema construtivo racionalizado para as habitações.
1945
REURBANIZAÇÃO DE EL SILENCIO
CARACAS (VENEZUELA)
RESPONSÁVEIS: Carlos Raúl Villanueva;
Carlos Blaschitz
ORGANIZAÇÃO: Banco Obrero
Este projeto de reurbanização demoliu uma zona inteira da região central de Caracas, El Silencio, alvo do impulso modernizador de viés higienista do governo venezuelano. Então denunciada pela pobreza extrema e pelas precárias condições de vida, a localidade foi substituída por um nó viário monumental e novas edificações de uso misto, entremeadas por áreas verdes e espaços públicos de lazer. Foram erguidos sete blocos habitacionais com quatro a sete pavimentos, cujos térreos são ocupados por galerias comerciais abertas à rua por arcadas. A convergência entre os postulados modernistas de projeto e o estilo de inspiração colonial das edificações resultou em um exemplar representativo de uma forma particular.
1929→1953
COLONIZAÇÃO DO NORTE DO PARANÁ
REGIÃO NORTE DO ESTADO DO PARANÁ
ORGANIZAÇÃO: Companhia de Terras Norte do Paraná / Companhia Melhoramentos Norte do Paraná
1912
COLÔNIA OPERÁRIA
NUEVA POMPEYA
BUENOS AIRES (ARGENTINA)
RESPONSÁVEIS: Vincente Frigerio Alvarez
ORGANIZAÇÃO: Sociedad de San Vicente de Paúl
VIDA COMUNITÁRIA
Entre campo e cidade, habitus individual e social moldam-se mutuamente, assim como o labor toma significados diante da pausa, do ócio e dos festejos. Mais apartados nos discursos do que nos modos de vida propriamente ditos, lugares, eventos e atividades dentro e fora da vivenda constituem-se numa continuidade, componentes de uma complexa realidade.
O ARTESANATO
O artesanato associa-se ao labor popular e ao cuidado primário, dando sentido aos modos de vida. A reprodução da casa, a agricultura de subsistência ou a confecção de artefatos ocupam em igual medida a vivenda, as ruas, as roças e os quintais.
A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS
Se no imaginário da modernização, a produção de comida é vinculada ao mundo rural em oposição à cidade, é a existência das famílias campesinas que garante a reprodução da urbe. Seja na vertente comunitária ou familiar, a produção alimentar configura a lida primordial que reitera a palavra de ordem do movimento campesino: “se o campo não planta, a cidade não janta”.
MERCADOS E FEIRAS
No campo se produz e no mercado se faz a troca. Comumente encontrada no centro estruturador da aglomeração, a feira promove o encontro do diverso e as manifestações excedem a atividade comercial.
FESTAS E REUNIÕES
Formas de sociabilidade, festejos populares e reuniões comunitárias constituem ritos periódicos e de cidadania que conferem sentido coletivo e temporal à vida cotidiana e que, com frequência, encontram-se organizados por tradições e ciclos de matriz religiosa.
VIVENDA COMO MEDIAÇÃO
Para o CINVA, a vivenda é o elemento que media a relação entre a vida familiar e a vida comunitária. Nesta exposição, a manutenção desse termo específico, em substituição a “casa” ou “habitação”, busca iluminar a diversidade de seus espaços, formas, materialidades e usos em cada território. Conjuntamente, as vivendas e os modos de vida dos trabalhadores converteram-se em objetos de interesse plurais para os técnicos em habitação e planejamento.
AS AGLOMERAÇÕES
Aglomeradas em diferentes graus de regularidade e precariedade, certos conjuntos de vivendas constituem objeto de interesse próprio: as favelas brasileiras e os tugurios colombianos, as villas miseria argentinas e as barriadas peruanas, os cantegriles uruguaios e os rancheríos venezuelanos, as poblaciones callampas chilenas e ciudades perdidas mexicanas. A diversidade de nomes para essas aglomerações não muda significativamente o substrato cultural comum que caracteriza esses modos de habitar compartilhados entre os trabalhadores latino-americanos.
A UNIDADE
Tomada como unidade, a vivenda é investigada em todas as suas dimensões: dos espaços às formas, das materialidades aos usos que cotidianamente são feitos dela. Em sua relação com a paisagem, seus moradores também exprimem seus modos de vida.
VIDA FAMILIAR
Para que serve uma casa? E o que significa morar? Dentre seus muitos significados, morar pode confundir-se com viver e, dentro da casa, torna-se cozinhar, descansar, armazenar, brincar, trabalhar. O fator humano mais uma vez ocupa posição de destaque, e o levantamento das diversas formas do morar dentro de uma casa é o ponto de partida para os projetos do CINVA.
COZINHAR
Estudar, costurar, fazer a contabilidade, brincar, conversar são algumas das diferentes atividades que se desenvolvem em torno da mesa da cozinha de uma casa. Para além da função convencional de preparo e consumo de alimentos, a cozinha é identificada como o ambiente central da vivenda latino-americana.
DESCANSAR
Antítese do trabalho, o ócio pode ocupar diversos espaços da casa: a sala ou o quarto, as galerias ou varandas que dão para a rua. Seu instrumento mais tradicional é a “rede“, frequentemente representada nos desenhos e fotografias do CINVA.
ARMAZENAR
Onde se armazena a produção? Onde houver espaço! Quando não há um depósito específico para armazenamento, essa atividade é realizada na própria casa, caso recorrente no mundo campesino latino-americano.
QUINTAIS E PÁTIOS
Os quintais e os pátios assumem funções variadas e simultâneas, intermediando o interior e o exterior da casa campesina. Podem ser locais de permanência e descanso; locais da produção de alimentos e do brincar; e do trabalho das “donas de casa”, com suas roupas e varais.
O FATOR HUMANO E A AÇÃO
O fator humano e a interação com as comunidades são fundamentais para o desenvolvimento dos projetos. O conhecimento institucionalizado, em contato com a população, se transforma. O laboratório dá espaço ao canteiro, onde técnicos e moradores encontram soluções que consideram o contexto local. O desenvolvimento vai além da dimensão material: com a comunidade, estudam-se técnicas tradicionais, suas virtudes e possíveis melhoramentos, aproximando as soluções propostas da realidade precedente daquelas populações.
PRÁTICA EXPERIMENTAL
Durante as primeiras pesquisas do CINVA, surge o projeto da CINVA-RAM: uma máquina para a produção de blocos de solo-cimento utilizada para racionalizar o uso do barro, material milenar utilizado na produção dos abrigos humanos. Mas esse material e essa técnica seriam os ideais para todas as casas dos trabalhadores na América Latina? O contato com as comunidades mostra que essa resposta é relativa, sendo exploradas também soluções em bambu, madeira ou taipa, por exemplo.
AÇÃO SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO
A construção da casa é tão importante para o desenvolvimento da comunidade quanto para sua reorganização social. Nesse sentido, as assistentes sociais tornam-se cruciais para fomentar nas populações um sentimento cívico e engajá-las nas transformações propostas.
TERRITÓRIO
Ao saírem dos gabinetes e laboratórios e chegarem ao território, os cientistas do planejamento buscam estratégias para dar corpo às suas propostas. Partindo do conhecimento técnico-científico, esse processo é negociado com as populações locais. Os saberes tradicionais são apropriados cientificamente; as pesquisas iniciadas em pranchetas e planilhas são complementadas em campo, e as comunidades são chamadas a participar do processo de transformação.
O CHAMADO À AÇÃO
A participação ativa da população local é peça fundamental na transformação proposta pelos técnicos. Essa relação é frequentemente mediada por figuras de autoridade daquela sociedade, como padres, líderes comunitários e trabalhadoras sociais locais.
A COLETA DE DADOS EM CAMPO
As formulações desenvolvidas em gabinetes e laboratórios são complementadas e corrigidas no território. Na busca por um rigor científico, os planejadores sistematizam as informações coletadas junto à população, enquadrando modos de vida locais nas transformações propostas.
EXTENSÃO COMO EDUCAÇÃO
A transformação dos territórios passa pela prática educativa, com o objetivo de modificar determinados modos de vida. O desenvolvimento integral, entretanto, pressupõe a permanência de relações comunitárias, por isso é necessário capacitar os técnicos para a decodificação e sistematização dos saberes locais. Apropriados cientificamente, os modos de vida são transformados, mas conservam as bases da comunidade, numa recusa à impessoalidade característica dos processos de modernização.
1956
PROJETO DE SAN JERÓNIMO
SAN JERÓNIMO (COLÔMBIA)
RESPONSÁVEIS: Ernesto E. Vautier; Helga Peralta; alunos do Curso Regular de Vivenda
ORGANIZAÇÃO: Centro Interamericano de Vivienda y Planeamiento (CINVA)
San Jerónimo, no município de Antioquia, foi a localidade escolhida para a realização do projeto rural do Curso Regular de 1956. Segundo o relatório final, o lema que orientou o projeto foi “a cabeça fria, o coração ardente e as mãos sujas”, expressão que sintetizava três eixos centrais no âmbito do CINVA: a racionalização técnica, o elemento humano e a construção de um projeto participativo de melhoramento das vivendas. Com base na educação, foram realizadas aulas demonstrativas com diferentes materiais e técnicas, envolvendo os alunos do curso, técnicos locais e a própria comunidade. Como resultado, construiu-se coletivamente uma casa experimental, que serviu de modelo para a população, articulando premissas institucionais com demandas e soluções locais.
1958
PROJETO DE VIÇOSA
VIÇOSA (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: Ernesto E. Vautier; Maira Josephina Albano; Orlando Fals-Borda; consultores e alunos do Curso Regional de Vivenda Rural
ORGANIZAÇÃO: Centro Interamericano de Vivienda y Planeamiento (CINVA); Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural (ABCAR)
Em 1958 foi realizado o primeiro curso regular do CINVA fora da Colômbia: o Curso Regional de Vivenda Rural, sediado na cidade de Viçosa, em Minas Gerais, que tomou como área de estudo as comunidades de Palmital e Padre Nosso. Em parceria com a Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural (ABCAR), foi desenvolvido um projeto de melhoramento das casas locais e a construção de uma casa experimental modelo, realizada em conjunto com a população. Embora tenha havido a demonstração do uso da máquina CINVA-RAM, optou-se por não empregá-la na execução da casa, privilegiando o estudo de formas de racionalização e aperfeiçoamento dos tijolos já utilizados pelas comunidades. Em contrapartida, o projeto incorporou a construção de uma sede para o Clube 4S da região, onde o maquinário e a técnica do solo cimento puderam ser aplicados.
1975→1979
VILAS RESIDENCIAIS DA USINA HIDRELÉTRICA DE ITAIPU
ORGANIZAÇÃO: Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS)
1973
PLANO URBANÍSTICO DE ALAGADOS
SALVADOR (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: Maurício Roberto; Márcio Roberto • ORGANIZAÇÃO: Alagados Melhoramentos S.A. (AMESA); Banco Nacional de Habitação (BNH)
1968
CONJUNTO HABITACIONAL ZEZINHO MAGALHÃES PRADO
GUARULHOS (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: Fábio Penteado; Vilanova Artigas; Paulo Mendes da Rocha; Giselda Visconti; Geraldo Vespasiano; Arnaldo Martino; Renato Nunes; Ruy Gama
ORGANIZAÇÃO: Caixa Estadual de Casas para o Povo (CECAP)
1967
PLANO URBANÍSTICO DE NOVA IORQUE
NOVA IORQUE (BRASIL)
ORGANIZAÇÃO: Companhia Hidroelétrica da Boa Esperança (COHEBE)
1964
CONJUNTO RESIDENCIAL VILA KENNEDY
RIO DE JANEIRO (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: Giuseppe Baldolato • ORG.: Companhia de Habitação Popular do Estado da Guanabara (COHAB-GB)
1964→1967
CONJUNTO RESIDENCIAL PALOMINO
LIMA (PERU)
RESPONSÁVEIS: Luis Miró Quesada; Santiago Agurto; Fernando Correa; Alfredo Sánchez-Griñán • ORG.: Governo Peruano
1981→1982
CONJUNTO RESIDENCIAL PROMORAR SAPOPEMBA I
SÃO PAULO (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: Paulo Sergio Souza e Silva
ORGANIZAÇÃO: Empresa Municipal de Urbanização (Emurb)
1979→1981
PROJETOS PARA A PREFEITURA DE SALVADOR
SALVADOR (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: João Filgueiras Lima (Lelé)
ORGANIZAÇÃO: Companhia de Renovação Urbana de Salvador (RENURB)
1977→1985
CONJUNTO RESIDENCIAL CIUDAD BACHUÉ
BOGOTÁ (COLÔMBIA)
RESPONSÁVEIS: Patricio Samper Gnecco
ORGANIZAÇÃO: Instituto de Crédito Territorial (ICT)
1975→1977
PROJETO PARA A COMUNIDADE COOPERATIVA CAMURUPIM
PROPRIÁ (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: Lina Bo Bardi • ORG.: Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF); ELECTROCONSULT (ELC)
1972→1974
CONJUNTO RESIDENCIAL COOPERATIVO NUEVO AMANECER
MONTEVIDÉU (URUGUAI)
RESPONSÁVEIS: Luis Livni; Mario Spallanzani; Rafael Lorente Mourelle; Héctor Enrique Benech • ORG.: Cooperativa de Vivienda Personal de SADIL (COVIPSA); Cooperativa de Viviendas de Metalúrgicos y Afines (MACOVI 4); Cooperativa de Viviendas “Comunidad” (COVICO); Cooperativa de Viviendas Matriz Textil (COVIMT 5); Cooperativa de Vivienda Central de Servicios Medicos del BSE (COVICESEM)
1971→1975
PROJETO PARA O PERÍMETRO IRRIGADO DE MORADA NOVA
MORADA NOVA (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: Nelson Serra e Neves; José Alberto de Almeida; Ebbe Martins Ferreira
ORGANIZAÇÃO: Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS)
1967→1975
HABILITAÇÃO DO BAIRRO LAS COLINAS
BOGOTÁ (COLÔMBIA)
RESPONSÁVEIS: Gabriel Enrique Andrade LlerasRESPONSÁVEIS: Vincente Frigerio Alvarez • ORG.: Convênio Caja de la Vivienda Popular (CVP); Centro Colombiano de la Construcción – Bouwcentrum de Colombia (CCC)
1967→1970
PROJETO PÚBLICO DE IRRIGAÇÃO DO BEBEDOURO (PIB)
PETROLINA (BRASIL)
RESPONSÁVEIS: Frank Algot Eugen Svensson; Paulo Cordeiro Coutinho; José Raymundo Oliva; Waldomiro Almeida • ORG.: Food and Agriculture Organization (FAO-ONU); Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE); Superintendência do Vale de São Francisco (SUVALE, atual Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, CODEVASF)
1965→1968
CONJUNTO RESIDENCIAL VILLA PRESIDENTE FREI
COMUNA DE ÑUÑOA (CHILE)
RESPONSÁVEIS: Jaime Larrain; Osvaldo Larrain; Diego Balmaceda • ORG.: Caja de Previsión de Empleados Particulares (Empart); Corporación de la Vivienda (CORVI)
1961
PROJETO DE CIUDAD KENNEDY
BOGOTÁ (COLÔMBIA)
ORGANIZAÇÃO: Instituto de Crédito Territorial (ICT); Centro Interamericano de Vivienda y Planeamiento (CINVA)
O Projeto Ciudad Kennedy foi concebido pelo Instituto de Crédito Territorial (ICT) em 1959 e contou com a participação do CINVA entre 1961 e 1962, no contexto das duas primeiras edições do Curso de Adestramento em Autoconstrução. Inicialmente chamado Ciudad Techo, o empreendimento foi rebatizado em homenagem ao presidente estadunidense John F. Kennedy após seu assassinato, lembrando o gesto simbólico de 1961, quando ele colocou o primeiro tijolo da obra durante a promoção da Aliança para o Progresso, programa que financiou a iniciativa habitacional. O projeto previa a construção de 12.000 moradias de baixo custo, sendo 8.000 por autoconstrução. Para a prática de campo do curso, destinou-se uma superquadra específica composta por 560 casas.
1964→1968
CASA MODULAR EXPERIMENTAL EM CIMENTO-AMIANTO
CUBA
RESPONSÁVEIS: Hugo D’Acosta; Mercedes Álvarez
1961→1970
PLANO DE DESENVOLVIMENTO URBANO PARA CIUDAD GUAYANA
CIUDAD GUAYANA (VENEZUELA)
RESPONSÁVEIS: Rafael Alfonzo Ravard; Juan Andrés Vegas; Gustavo Ferrero Tamayo; Alfredo Calzadilla; Lloyd Rodwin; Donald Appleyard; John Friedmann; Lisa Peattie; Willo von Moltke • ORG: Corporación Venezolana de Guayana (CVG); Harvard-MIT Joint Center for Urban Studies (JCUS)
1955→1956
CONJUNTO RESIDENCIAL LAS LOMAS
SAN JUAN (PORTO RICO)
RESPONSÁVEIS: Wallace K. Harrison
ORGANIZAÇÃO: International Basic Economy Corporation (IBEC)
1960→1964
CONJUNTO RESIDENCIAL NONOALCO-TLATELOLCO
MÉXICO
RESPONSÁVEIS: Mario Pani; Luis Ramos Cunningham
1952
PLANO HABITACIONAL EVA PERÓN
BUENOS AIRES (ARGENTINA)
RESPONSÁVEIS: Miguel C. Roca
ORGANIZAÇÃO: Banco Hipotecario Nacional (BHN); Ministerio de Finanzas de la Nación
1952→1958
CONJUNTO RESIDENCIAL ANTONIO NARIÑO
BOGOTÁ (COLÔMBIA)
RESPONSÁVEIS: Néstor C. Gutiérrez; Daniel Suárez Hoyos; Rafael Esguerra García; Enrique García Merlano; Alberto Herrera; Juan Menéndez; Jaime del Corral; Álvaro Cárdenas
ORGANIZAÇÃO: Instituto de Crédito Territorial (ICT); Ministerio de Obras Públicas (MOP)
1951→1955
ESTUDO PARA O ESTADO DE SÃO PAULO
SÃO PAULO (BRASIL)
ORGANIZAÇÃO: Sociedade para Análise Gráfica e Mecanográfica Aplicada aos Complexos Sociais (SAGMACS)
1949
CONJUNTO RESIDENCIAL MUZÚ
BOGOTÁ (COLÔMBIA)
RESPONSÁVEIS: Jorge Gaitán Cortés
ORGANIZAÇÃO: Instituto de Crédito Territorial (ICT)
1948→1953
PLANO URBANÍSTICO DE CIUDAD EVITA
EZEIZA/LA MATANZA (ARGENTINA)
RESPONSÁVEIS: Luigi Piccinato
ORGANIZAÇÃO: Ministerio de Obras Públicas (MOP); Banco Hipotecário Nacional (BHN); Fundación Eva Perón
MOCTEZUMA, BALBUENA Y SAN JACINTO, CIUDAD DE MEXICO D.C. (MÉXICO)
RESPONSÁVEIS: Juan Legarreta
ORGANIZAÇÃO: Departamento Central del Distrito Federal
1965
PROJETO DE ESCADA
CARACAS (VENEZUELA)
RESPONSÁVEIS: Eduardo Menéndez; alunos do Curso Regional de Vivenda Rural
ORG.: Centro Interamericano de Vivienda y Planeamiento (CINVA); Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE)
O VI Curso Regional de Habitação Rural tomou como objeto de estudo a realidade social de três engenhos e uma usina açucareira na zona da mata sul pernambucana. Após aulas teóricas e pesquisas de campo, os alunos do curso elaboraram dois projetos distintos para uma “casa experimental”. Ambas as propostas utilizaram a taipa de mão como técnica construtiva, mas uma foi significativamente mais arrojada ao propor uma construção modulada e expansível, adaptável ao gosto dos moradores. Os princípios modernos de projeto se uniram à técnica construtiva e materialidade vernaculares, aproximando modernidade e tradição. Menos de um ano depois da realização do curso, a SUDENE noticiou a construção de uma “casa experimental” em taipa de mão para uma família de camponeses da zona canavieira pernambucana, experiência-piloto provavelmente inspirada nas reflexões realizadas no curso de Escada.
Na esteira do desenvolvimento como sinônimo de progresso, o conhecimento científico encontra aplicação na formação técnica para a aceleração modernizadora. Mas na observação de cada contexto, as bases humanas e territoriais se contrapõem ao universalismo tecnocrata. A instrução de agentes do progresso fixa a dimensão institucionalizada do saber, sediado em centros de cálculo e difundido com teorias e métodos oficiais. Entretanto, a interface prática do dado só acontece por meio da ação humana, que continuamente lhe transforma e é transformada pela realidade das coisas.
REPRESENTAÇÃO GRÁFICA
Assim como cada disciplina dispõe de modalidades particulares de difusão, no campo do planejamento a representação gráfica, seus códigos específicos de linguagem e sistematização de ideias –diagramas, gráficos, etc. – remetem a uma circulação global e coordenada do conhecimento de técnico para técnico.
EXPERIMENTAÇÃO LABORATORIAL E NO CANTEIRO
Entre aparelhagens sofisticadas e protótipos em desenvolvimento, o laboratório é, por excelência, o locus da experimentação técnico-científica: aqui, a oficina de observação e inovação tecnológica se converte no canteiro experimental de soluções construtivas moldadas ao progresso modernizador.
SALA DE AULA
Se é na experimentação laboratorial do canteiro que o conhecimento técnico e sua tecnologia correspondente são produzidos, na sala de aula o arcabouço empírico cumulativo, já teorizado, é transmitido e discutido sistematicamente, preparando estrategicamente a ação técnica posterior.