PROJETO
A partir da arquitetura, do planejamento e do território latino-americano, apresentam-se projetos que revelam disputas em torno dos rumos do desenvolvimento e evidenciam suas dimensões culturais e contraditórias. Propõe-se deslocar um imaginário que associou desenvolvimento somente a grandes obras – cidades, rodovias, portos, usinas, conjuntos habitacionais – para valorizar iniciativas que formularam novos modos de vida e de ocupação do território. Essas experiências incorporam práticas comunitárias, escalas cotidianas e uma compreensão crítica da técnica, evidenciando caminhos alternativos ao desenvolvimentismo hegemônico.
Do encontro e da negociação entre técnicos e comunidades emergiram práticas híbridas que ressignificaram as relações entre projeto e autoconstrução, formalidade e informalidade, tecnologia e saber tradicional, campo e cidade. Nesses processos, o próprio conceito de projeto se transforma: a autoria perde centralidade e dá lugar a formas coletivas de produção material, simbólica e cultural. Nas experiências do CINVA, iniciativas interdisciplinares articularam distintos saberes profissionais a métodos participativos, produzindo práticas em evolução contínua e revelando a potência transformadora da cooperação.
A mediação de organismos internacionais, da Igreja Católica e de agências estatais reforçou hierarquias geopolíticas, acadêmicas e sociais, mas o clima anti-imperialista da época impulsionou a criação de espaços de ação educativa e compartilhada. A educação comunitária e a reeducação dos próprios técnicos, orientadas por uma perspectiva de pesquisa-ação, abriram caminho para a reformulação de métodos e prioridades. Nesse horizonte, desenvolvimento significou também libertação dos povos e afirmação de seus territórios, consolidando formas críticas e participativas de conceber e transformar o espaço.
De que modo a arquitetura planeja seus modos de vida?
Para você, existem territórios que são campo e cidade ao mesmo tempo?